terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Incredulidade no Púlpito

Crer naquilo que a Bíblia diz é um dom salvador de Deus. Aptidão para falar em público, não. Crer em Jesus Cristo como o Filho de Deus encarnado é obra salvadora da graça. Capacidade para administrar uma igreja, não. Receber os relatos bíblicos em fé e viver por eles é resultado da operação salvadora do Espírito de Deus no coração. Capacidade para liderar um culto e dirigir uma liturgia, não. Fé nos relatos bíblicos de milagres é graça especial aos eleitos. Poder intelectual e acuidade mental, não.

É por isto que existem pastores e professores de teologia que são incrédulos. Pois para ser pastor e professor de teologia não é preciso fé. Tive um professor de teologia no mestrado que me confessou ter sido um agnóstico durante toda sua vida. Creu aos 65 anos de idade, durante uma enfermidade. Sua vida mudou.

Pastores e professores de teologia que não têm fé têm que ter outra coisa: a habilidade de separar mentalmente o que ensinam domingo na sua igreja daquilo que realmente acreditam, quando estão a sós com seus livros. Se não tiverem isto, até o que tem lhes será tirado. Pois se ensinarem na igreja o que realmente acreditam, dificilmente manterão seu emprego. Qual é a igreja que deseja ouvir um pastor que não crê nas Escrituras? As que quiseram, fecharam ou estão morrendo. As igrejas da Europa que o digam.

Por não ter fé, o pastor incrédulo tem que direcionar seu ministério e seu culto para áreas onde sua incredulidade passe mais despercebida. Tudo deve estar voltado para ocupar os sentidos de maneira que a fé não faça falta. A mensagem deve evitar temas difíceis. O foco é em pontos morais, sociais e políticos.

O problema com pastores incrédulos não é o que eles dizem, mas o que eles deixam de dizer, os temas que evitam, os assuntos que nunca mencionam, como a ressurreição de Cristo, a infalibilidade das Escrituras, a veracidade e confiabilidade da narrativa bíblica, o poder do Espírito para regenerar a natureza humana pecaminosa, a morte vicária de Cristo, a realidade da tentação e a necessidade de resisti-la. É assim que sobrevivem, evitando matérias de fé e pregando aquilo que um rabino, um mestre espírita ou líder muçulmano também pregaria, como a honestidade e o amor ao próximo, por exemplo.

Alguém pode perguntar “Por que alguém gostaria de ser pastor se não tem fé? Não tem uma maneira mais fácil dele ganhar dinheiro?”. Pois é, pior é que não tem.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lições no Deserto


O livro de Deuteronômio é um resumo das ações de Deus em prol do Seu povo durante a saída do Egito e entrada em Canaã. As palavras de Moisés foram palavras de vitória, de conquista, de progresso, de prosperidade, exortando o povo a cumprir, a obedecer ao Senhor para que recebessem das promessas que Ele havia dado ao Seu povo. Nos textos abaixo, Moisés fala sobre o propósito do tempo passado no deserto e dá algumas lições a serem entendidas e praticadas por todos nós:

“Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor jurou a vossos pais. E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Deuteronômio 8:1,2).
A primeira lição que tiramos é que, quem nos guia no deserto ou durante o deserto, é o Senhor. Sendo mais ousado, digo até que o Senhor nos guia para o deserto. Após o batismo de Jesus, a Bíblia diz que ele “foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Mateus 4:1). A verdade é que nós não conseguimos conceber, aceitar a ideia de que Deus conduz alguém ao deserto e, então, muito menos guiar alguém neste deserto.
“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).
A palavra diz que Deus estava com José naquela situação de prisão. Nossa grande dificuldade é enxergar o Senhor em meio a situações ruins. Como é que Deus pode estar no deserto? Talvez a grande razão do Senhor ter permitido o povo passar pelo deserto antes de entrar na terra prometida foi para que, primeiro, tivesse um conhecimento d’Ele, um encontro real com Ele. Terra prometida, sem o Senhor, não significa nada. Quando o Senhor nos leva para o deserto é porque Ele quer que aprendamos e cresçamos mais.
Outra lição é que o Senhor levou o povo ao deserto para o humilhar. Quantas vezes ouvimos cristãos dizerem que Deus não humilha ninguém? Mas Ele não somente humilha, como manda que nos humilhemos:
“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6).
Não é fácil se humilhar ou ser humilhado, mas isso prova profundamente os nossos corações. Ser esquecido, desonrado, desprestigiado, etc. é muito ruim; somos tentados a reclamar de Deus, das pessoas, da vida.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos” (Deuteronômio 8:3,4).
A grande lição do deserto é que passamos a depender totalmente de Deus e da Sua palavra e constatamos que não temos controle sobre nada que nos acontece na vida, que tudo que somos e temos está nas mãos do Senhor. Neste momento passamos a viver exclusivamente da Palavra de Deus. Existem problemas que Ele coloca à nossa frente onde nos sentimos totalmente presos, amarrados, sem saber o que fazer e qual o próximo passo. Assim, passamos a depender diariamente de uma palavra do Senhor e, quando Ele fala, é o momento de respirarmos, de nos fortalecermos.
Deus nos dá do Seu Espírito, da Sua Palavra, do Seu corpo que é a igreja. Nós, muitas vezes sem entendimento, buscamos socorro naquilo que o Senhor não nos deu. Quem busca refúgio fora do Espírito, da Palavra ou da igreja, normalmente permanece no deserto, caminha sem direção ou abrigo.
Existem desertos que passamos onde o jejum diário passa a ser a única opção de vida, porque simplesmente não temos fome. Estamos tão desesperados, queremos tanto ouvir a Deus que não queremos comida. Isso Ele faz para nos mostrar que não somos autossuficientes, que não temos respostas para tudo, que o controle não está em nossas mãos. Assim, vivemos alimentados do maná diário, necessitados de ouvir uma nova palavra de Deus a cada dia. Aquele povo passou 40 anos no deserto com uma provisão sobrenatural e diária do Senhor; suas roupas e calçados não se desgastaram e nunca lhes faltou alimentos.
Aqui aprendemos outra grande lição: Como iremos louvar a Deus se não O vemos provendo, agindo? É no deserto que aprendemos a fazer contas, a reconhecer e valorizar todas as bênçãos que Deus nos concede e que, às vezes, não vemos ou valorizamos. Louvor é reconhecimento, é ver e valorizar o que Deus faz, é contar as bênçãos uma a uma. Louvor é a linguagem do reino de Deus e murmuração é a linguagem do reino das trevas. A murmuração produz enfermidades de todos os tipos. A pessoa que murmura, que não enxerga Deus no seu deserto acabará doente.
Melhor do que passar pelo deserto é ser transformado nele, porque é isso que Deus quer fazer conosco. Deserto é um lugar onde temos de entrar de um jeito e sair de outro, transformados. Nós não fomos criados para o deserto. Salmos 68:6 diz que apenas “os rebeldes habitam em terra seca, estéril”. Os rebeldes moram no deserto, mas nós apenas passamos por ele para poder aprender, para ver o Senhor agir, para louvar, para se contentar.
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados. Que, passando pelo deserto, faz dele um manancial; ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras chuvas o cobrem de bênçãos” (Salmos 84:4-6).
O Salmista está dizendo que se o nosso deserto for transformado em um manancial, as primeiras chuvas não irão apenas nos socorrer, mas já irão nos transbordar. Isso é estar cheio de Deus em meio ao deserto. Mas, não tem como transbordarmos de bênçãos no meio do deserto se não estivermos cheios de Deus. Por isso, vamos buscar ao Senhor, vamos clamar para vê-Lo em meio ao deserto e louvá-Lo com todo o nosso ser.
Há épocas em que, devido as lutas, não conseguimos sequer cantar e, quando o fazemos, é algo forçado, de forma ritualista. Às vezes queremos ouvir Deus apenas na reunião, no ajuntamento (Mateus 18:20), mas Ele fala também no secreto, em nossos momentos de oração particular (Mateus 6:6). Ele fala conosco através dos cultos, dos irmãos, mas também através dos momentos secretos e precisamos aprender a ouví-Lo em todos estes momentos.
“Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu” (Deuteronômio 8:10).
Ao passar pelo deserto, enxergar e ouvir ao Senhor e cumprir o que Ele está falando, O louvaremos e nos alegraremos.

Igreja em férias?

O período de férias, normalmente janeiro e fevereiro, faz a frequência da membresia cair drasticamente na maioria dos templos. A desculpa quase sempre fica por conta das viagens com a família e os amigos mas, por incrível que pareça, muitos cristãos desaparecem e ainda avisam: "Vamos aproveitar as férias para descansar da igreja. Foram muitas atividades durante o ano e nós precisamos dar um tempo, porque mais programações estão por vir".
O resultado dessa postura é que os templos ficam vazios, as programações não são planejadas (e algumas são canceladas ou adiadas), as músicas são entoadas nos cultos por pessoas com pouca prática na direção do louvor, não há culto de oração, não há encontro de jovens, não há ensaios de coros e, quantas vezes, também são reduzidas as classes da escola bíblica.
Se isso ocorre, não são apenas os cristãos que sentem. Sofrem principalmente os não-crentes, que deixam de ouvir a mensagem de salvação. Durante um ou dois meses, a evangelização no bairro e na cidade para por falta de cristãos para irem ao campo levar a semente.
"A igreja de Cristo é atuante, é viva, não pode tirar férias. O diabo não tira férias, então por que os crentes em Jesus saem para descansar? Isso só enfraquece a igreja. Se a gente abandonar as atividades por um mês, quando voltarmos o inimigo vai ter aprontado".
Férias são um período de descanso da escola, da faculdade, do curso, do trabalho, mas não há férias de igreja e nem mesmo férias de Deus. Liderar um ministério ou estar envolvido em um grupo específico não significa ser um funcionário da igreja, ser um empregado que precisa de tempo para descansar.
Os cristãos são como soldados armados em uma batalha, marchando para guerrear contra um inimigo que não descansa nunca. Se a igreja se puser à sombra para descansar, ele estará pronto a tragá-la. Então, não peça para ficar nos abrigos ou entre os últimos soldados.! Ponha-se ao lado do grande líder, na linha de frente, porque a promessa que Deus fez não é no plano terreno: é o descanso na eternidade.

Fonte:  http://www.presbiterianafiladelfia.com.br.