O livro de Deuteronômio é um resumo das
ações de Deus em prol do Seu povo durante a saída do Egito e entrada em
Canaã. As palavras de Moisés foram palavras de vitória, de conquista,
de progresso, de prosperidade, exortando o povo a cumprir, a obedecer
ao Senhor para que recebessem das promessas que Ele havia dado ao Seu
povo. Nos textos abaixo, Moisés fala sobre o propósito do tempo passado
no deserto e dá algumas lições a serem entendidas e praticadas por
todos nós:
“Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os
cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a
terra que o Senhor jurou a vossos pais. E te lembrarás de todo o
caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta
anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu
coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Deuteronômio
8:1,2).
A primeira lição que tiramos é que, quem
nos guia no deserto ou durante o deserto, é o Senhor. Sendo mais
ousado, digo até que o Senhor nos guia para o deserto. Após o batismo
de Jesus, a Bíblia diz que ele “foi conduzido pelo Espírito ao deserto”
(Mateus 4:1). A verdade é que nós não conseguimos conceber, aceitar a
ideia de que Deus conduz alguém ao deserto e, então, muito menos guiar
alguém neste deserto.
“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas
Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu
graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador
sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).
A palavra diz que Deus estava com José
naquela situação de prisão. Nossa grande dificuldade é enxergar o
Senhor em meio a situações ruins. Como é que Deus pode estar no
deserto? Talvez a grande razão do Senhor ter permitido o povo passar
pelo deserto antes de entrar na terra prometida foi para que, primeiro,
tivesse um conhecimento d’Ele, um encontro real com Ele. Terra
prometida, sem o Senhor, não significa nada. Quando o Senhor nos leva
para o deserto é porque Ele quer que aprendamos e cresçamos mais.
Outra lição é que o Senhor levou o povo
ao deserto para o humilhar. Quantas vezes ouvimos cristãos dizerem que
Deus não humilha ninguém? Mas Ele não somente humilha, como manda que
nos humilhemos:
“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6).
Não é fácil se humilhar ou ser
humilhado, mas isso prova profundamente os nossos corações. Ser
esquecido, desonrado, desprestigiado, etc. é muito ruim; somos tentados
a reclamar de Deus, das pessoas, da vida.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que
tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender
que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do
Senhor viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se
inchou o teu pé nestes quarenta anos” (Deuteronômio 8:3,4).
A grande lição do deserto é que passamos
a depender totalmente de Deus e da Sua palavra e constatamos que não
temos controle sobre nada que nos acontece na vida, que tudo que somos e
temos está nas mãos do Senhor. Neste momento passamos a viver
exclusivamente da Palavra de Deus. Existem problemas que Ele coloca à
nossa frente onde nos sentimos totalmente presos, amarrados, sem saber o
que fazer e qual o próximo passo. Assim, passamos a depender
diariamente de uma palavra do Senhor e, quando Ele fala, é o momento de
respirarmos, de nos fortalecermos.
Deus nos dá do Seu Espírito, da Sua
Palavra, do Seu corpo que é a igreja. Nós, muitas vezes sem
entendimento, buscamos socorro naquilo que o Senhor não nos deu. Quem
busca refúgio fora do Espírito, da Palavra ou da igreja, normalmente
permanece no deserto, caminha sem direção ou abrigo.
Existem desertos que passamos onde o
jejum diário passa a ser a única opção de vida, porque simplesmente não
temos fome. Estamos tão desesperados, queremos tanto ouvir a Deus que
não queremos comida. Isso Ele faz para nos mostrar que não somos
autossuficientes, que não temos respostas para tudo, que o controle não
está em nossas mãos. Assim, vivemos alimentados do maná diário,
necessitados de ouvir uma nova palavra de Deus a cada dia. Aquele povo
passou 40 anos no deserto com uma provisão sobrenatural e diária do
Senhor; suas roupas e calçados não se desgastaram e nunca lhes faltou
alimentos.
Aqui aprendemos outra grande lição: Como
iremos louvar a Deus se não O vemos provendo, agindo? É no deserto que
aprendemos a fazer contas, a reconhecer e valorizar todas as bênçãos
que Deus nos concede e que, às vezes, não vemos ou valorizamos. Louvor é
reconhecimento, é ver e valorizar o que Deus faz, é contar as bênçãos
uma a uma. Louvor é a linguagem do reino de Deus e murmuração é a
linguagem do reino das trevas. A murmuração produz enfermidades de
todos os tipos. A pessoa que murmura, que não enxerga Deus no seu
deserto acabará doente.
Melhor do que passar pelo deserto é ser
transformado nele, porque é isso que Deus quer fazer conosco. Deserto é
um lugar onde temos de entrar de um jeito e sair de outro,
transformados. Nós não fomos criados para o deserto. Salmos 68:6 diz
que apenas “os rebeldes habitam em terra seca, estéril”. Os
rebeldes moram no deserto, mas nós apenas passamos por ele para poder
aprender, para ver o Senhor agir, para louvar, para se contentar.
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão
continuamente. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo
coração estão os caminhos aplanados. Que, passando pelo deserto, faz
dele um manancial; ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras
chuvas o cobrem de bênçãos” (Salmos 84:4-6).
O Salmista está dizendo que se o nosso
deserto for transformado em um manancial, as primeiras chuvas não irão
apenas nos socorrer, mas já irão nos transbordar. Isso é estar cheio de
Deus em meio ao deserto. Mas, não tem como transbordarmos de bênçãos
no meio do deserto se não estivermos cheios de Deus. Por isso, vamos
buscar ao Senhor, vamos clamar para vê-Lo em meio ao deserto e louvá-Lo
com todo o nosso ser.
Há épocas em que, devido as lutas, não
conseguimos sequer cantar e, quando o fazemos, é algo forçado, de forma
ritualista. Às vezes queremos ouvir Deus apenas na reunião, no
ajuntamento (Mateus 18:20), mas Ele fala também no secreto, em nossos
momentos de oração particular (Mateus 6:6). Ele fala conosco através
dos cultos, dos irmãos, mas também através dos momentos secretos e
precisamos aprender a ouví-Lo em todos estes momentos.
“Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu” (Deuteronômio 8:10).
Ao passar pelo deserto, enxergar e ouvir ao Senhor e cumprir o que Ele está falando, O louvaremos e nos alegraremos.