sexta-feira, 25 de abril de 2014

Crianças podem ser más?

Crianças podem ser más? Esse é o mais recente debate levantado a partir de uma novela global. Serviu para, pelo menos, uma coisa! Mas a pergunta inicial é, por que a pergunta precisa ser feita?

A resposta sociológica vem na matéria da Revista Época: "Um obstáculo para o tratamento de crianças com sinais de transtorno de conduta é o próprio tabu da maldade infantil. O senso comum afirma que as crianças são inocentes – uma crença que resulta da evolução histórica da família. Até o século XVII as crianças eram consideradas pequenos adultos e muitas nem sequer eram criadas pelos pais. No século XVIII, isso mudou. A família burguesa fechou-se em si mesma, dentro de casa. O lar virou um santuário e a criança o centro dos cuidados e das atenções. Foi o nascimento do sentimento de infância, dentro de um grupo que agora tinha como laços o afeto e o prazer da convivência. Se a criança é o eixo do sentimento moderno de família, ela não pode ser má. Eis o tabu." Como bem diz o texto, é uma crença social, senso comum. O que não diz a matéria é que essa crença tem sido usada como teoria educacional há várias décadas, a partir das teorias de Piaget e do construtivismo (que parte do princípio da neutralidade moral da criança, explicada em seu livro "O Juízo Moral da Criança - para uma ampla exposição do tema, veja o livro de Solano Portela, "O que estão ensinando aos nossos filhos?

Mas o que a doutrina bíblica diz a respeito? Ora, uma doutrina clássica, rejeitada, inclusive por muitos cristãos, é a doutrina da depravação total do ser humano. Em suma, essa doutrina afirma que a partir da queda, o ser humano, em busca de autonomia, rejeitou a santidade de Deus e não tem mais como agradá-lo. Em tese, todos temos o potencial para ser Hitler ou ter "desvio de conduta", isto inclui, sim, as crianças. Elas podem ser más e pais podem ser ainda piores, abusando, seviciando e até matando os próprios filhos (basta ver o jornal para ver as últimas manchetes a respeito do pai e madrasta que assassinaram o filho, de 6 anos, com crueldade, por motivos mais do que fúteis). Mas, os especialistas já deram o seu veredicto na matéria: "Os especialistas afirmam que não se cura transtorno de conduta, mas ele pode ser amenizado".

E como a teologia poderia falar contra os especialistas? Afinal, a teologia não tem espaço na arena pública, é matéria de crença! Mas e a pressuposição a respeito da neutralidade das crianças, não é? Perceba o leitor que o que a sociedade crê a respeito da infância vira, em Piaget, teoria educacional, supostamente um especialista falando, aplicada por mais de 30 anos em nossas escolas. É claro que o próximo passo será a busca de uma razão fisiológica, afinal, no mundo contemporâneo tudo pode ser explicado sem causas espirituais.

A fé cristã vê a questão por dois ângulos: 1) a causa primária de qualquer 'transtorno', é sempre a mesma, a condição humana de queda e distância de Deus, até se houver uma explicação fisiológica/biológica . 2) a fé cristã acredita em redenção, uma salvação que está acima de nossas habilidades de "explicar" todas as coisas e fazer coisas que nós, homens, não podemos fazer. Sei, isto faz de mim um obscurantista...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Noé no Brasil

Não, não vou falar do filme NOÉ. Afinal, já tem muita gente falando e dando opinião a respeito dele. Mas confesso que vou pegar a "onda" (desculpe o trocadilho atroz) e repostar um texto que traduzi, que ronda a Internet ,e tropicalizei-o às condições peculiares de nossa terrinha...

Um amigo meu, sobrevivente da grande cheia recifense de 1975, teve um pesadelo. Ele testemunhava o que ocorria com Noé, só que o patriarca morava no Brasil, nos nossos dias:
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Noé nunca tinha visto chuva em sua vida e fica espantado quando ouve uma voz retumbante dizendo: “Em um ano eu farei chover sobre toda a terra. Ela será coberta com água até que tudo esteja destruído, começando aí no Brasil, mas quero que você salve os justos e dois espécimes de cada animal. Assim, estou lhe comandando a construir uma ARCA”!

No meio de um relâmpago, num piscar de olhos, caem às mãos de Noé os desenhos e todas as especificações da Arca a ser construída.

Tremendo de pavor, Noé pega o projeto e concorda com a construção da Arca. “Lembre-se”, diz a voz, “Você tem que terminar a Arca e ter tudo e todos a bordo dentro de um ano”.

Passa-se exatamente um ano, no sonho, e uma tormenta monumental cobre toda a terra. Os mares estão agitados e tumultuados, mas Noé está sentado no terreno de sua casa, chorando!

“Noé”, ressoa novamente a voz, “onde está a ARCA”?

“Perdoe-me”, clama Noé. “Fiz o que eu pude, mas os problemas foram terríveis”!

“Primeiro, eu tive de obter uma licença de construção e o projeto da Arca não se enquadrava no código naval, nem estava assinado por um engenheiro credenciado na Marinha. Tive que contratar uma firma especializada para redesenhar tudo”!

“Depois, fiquei sabendo que o Distrito Naval havia feito um convênio de segurança e entrei numa questão judicial com o CONTRU, pois insistiam que a Arca precisava de uma sistema de ‘sprinklers’ contra incêndios e, além disso, a Capitania dos Portos exigia uma enormidade de coletes-salva-vidas”.

“Ai o meu vizinho ligou para o ‘Psiu’ dizendo que eu estava fazendo muito barulho e depois para a prefeitura, alegando que a construção da Arca no quintal da frente, violava o zoneamento da Capital. Tive que estar presente a cinco audiências na comissão de planejamento municipal até conseguir um certificado de exceção, para dar andamento ao projeto”.
"Quando a ARCA estava com a estrutura pronta, passou um protesto pela frente da minha rua e os Black Blocs tocaram fogo nela, enquanto a polícia olhava de longe, 'protegendo' os manifestantes. Sem chuva, tive um trabalho enorme para apagar o fogo".

“Tive problemas na compra de madeira para construir a Arca em função da proibição de corte de árvores, para proteção do mico-leão na Mata Atlântica. Finalmente, consegui convencer a Secretaria Estadual de Proteção à Fauna e Flora que eu precisava da madeira EXATAMENTE para salvar o mico-leão, mas a Polícia Florestal não me deixou pegar um casal de micos-leão. Sem mico-leão, não havia o que salvar”.

“Os marceneiros que eu havia contratado foram visitados pelo carro de som do Sindicato dos Trabalhadores em Madeira que convenceu-os a procurar a proteção do Sindicato. Na semana seguinte, fizeram uma greve, querendo intervalos para lanche de 2 em 2 horas e recusando-se a trabalhar horas extras. Tive de negociar até com a CUT e agora, em vez dos 8 carpinteiros que contratei quando comecei, tenho 16, que trabalham 5 horas a menos por semana do que os 8 que eu tinha, no início. E ainda não tenho os micos-leão”.

“Quando comecei a juntar os outros casais de animais, fui interpelado judicialmente pela Associação de Proteção aos Animais. Eles argumentavam que eu estava levando somente dois de cada espécie, o que provocaria solidão indevida – caso um dos parceiros rejeitasse o outro, além de confinamento desumano, pelo período em que permaneceriam na Arca”.

“Assim que consegui descaracterizar a legitimidade desse processo, o Ministério do Meio Ambiente, lá de Brasília, me intimou dizendo que eu não poderia completar a construção da Arca, sem dar entrada em um Estudo de Impacto Ambiental do Dilúvio que eu estou anunciando. Disseram que nem o Rodoanel de São Paulo, que vai beneficiar 18 milhões de pessoas eles aprovam, quanto mais uma arca que vai servir a uma família e uma porção de animais. Apesar da minha insistência, eles não consideraram com seriedade meus argumentos de que eles não teriam jurisdição sobre a conduta do Criador. Pensaram até que eu estava falando do Presidente da República”.

“Em paralelo, o Ministério do Exército ficou sabendo dos planos de construção da Arca. As pessoas lá acharam que a questão do dilúvio era prejudicial à segurança nacional e me pediram um desenho detalhado da proposta do dilúvio. Eu enviei para eles um globo terrestre, que eu tinha lá em casa, mas ficaram ofendidos, achando que eu estava ‘tirando sarro’ deles e ameaçam mandar uns Brucutus, aqui para frente de minha casa, para impedir o andamento do projeto”.

“Atualmente estou empenhado em resolver um problema com a Comissão de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados. Eles me acusam de discriminação e exigem que, dentro da arca, eu tenha um número idêntico de pessoas que sejam descrentes e neguem a Deus. A militância GAY está exigindo a inclusão de um casal representante (do mesmo sexo...), na arca, além de protestarem a seleção de apenas um animal de cada sexo, querem que eu inclua um terceiro, em cada casal”.

“A Receita Federal quebrou o meu sigilo bancário e telefônico e abriu um processo para confiscar todos os meus bens, pois está convencida que estou construindo a Arca para fugir do país e investiga se paguei o IPI, PIS, COFINS e a Contribuição Social sobre o lucro presumido, com os ingressos da Arca”.

“A Secretaria da Fazenda solicita o pagamento de ICMS, pois classificou a Arca como ‘veículo de recreação e entretenimento’, enquanto que o município quer cobrar ISS utilizando exatamente o mesmo raciocínio”.

“Finalmente, fui processado pela Associação de Liberdades Civis por um País LAICO, para que o trabalho na Arca fosse paralisado. A alegação deles é que o Dilúvio que estou anunciando é um evento religioso e que é inconstitucional, considerando a abrangência proposta do evento”.

“Não creio que possa terminar a Arca antes de uns 5 ou 6 anos”, choramingou Noé.

Noé olhou para o céu e viu a tempestade clareando. O mar começou a se acalmar. Um arco-íris formou-se de ponta a ponta. Noé levantou-se, esperançoso: “Isso quer dizer que a terra não vai mais ser destruída?” “Não”, exclamou a voz, “Os governantes já fizeram isso, completamente”!

Meu amigo acordou, suando...
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Susurro de Deus

"Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade". (Eclesiastes 5:10)
Conta-se que um amigo levou um índio para passear no centro de São Paulo.
Seus olhos não conseguiam acreditar na altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético das pessoas indo e vindo. Espantava-se com o barulho ensurdecedor das sirenes, dos automóveis, das pessoas falando em voz alta. De repente, o índio falou: "Ouço um grilo!"
O amigo espantado retrucou: "Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!" O índio insistiu que ouvia o cantar de um grilo. Tomando o seu cicerone pela mão, levou-o até um canteiro de plantas. Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto. "Como?" Perguntou o amigo, ainda sem crer. O índio pediu-lhe algumas moedas, e então jogou-as na calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou.
“Escutei o grilo porque o meu ouvido está acostumado com este tipo de barulho”. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque foram condicionadas a reagirem a esse tipo de estímulo. Depois arrematou: "A gente ouve o que está acostumado ou treinado a ouvir."

Vivemos em um mundo materialista. A vida nos impõe que sejamos muitas vezes duros. Acabamos nos tornando céticos. A voz de Deus não é ouvida senão por aqueles que tem o ouvido sensível. Muitas vezes a correria da vida e as agitações da nossa alma inquieta não nos permite perceber o Divino.

Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da sobrevivência, mas há realidades que só se percebem com o espírito. Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo Eterno, escutam o sussurro de Deus.

Desejo que todos consigamos, apesar do tumulto que nos cerca, escutar o sussurro de Deus.

AUTOR DESCONHECIDO