segunda-feira, 24 de março de 2014

A Reputação e o Copo

Recentemente, vendo as notícias do Face, li esta mensagem do copo. Então me lembrei que um dia um pastor, tentando justificar suas feridas, me contou uma parábola parecida com esta do copo. Ele havia sido difamado por outro pastor. Porém, um belo dia, o difamador pediu perdão. O pastor ferido me disse com base na parábola do “copo”: – “Está vendo Franco, o pedido de perdão dele não pode reparar o dano que ele me causou. Na verdade, ninguém mais pode restaurar a minha reputação”.


Imediatamente, perguntei a ele: – “Quem foi o rei Davi? Ele prontamente me respondeu: – “Um homem segundo o coração de Deus”. Concluí: – Interessante! Você poderia dizer que Davi foi um soberbo, pois fez um senso para se engrandecer, ou um adúltero, pois deitou com a mulher de outro homem, ou ainda um assassino, mas você só consegue se lembrar de que ele foi um homem segundo o coração de Deus.
Balaão foi um profeta procurado por um rei distante. Deveria ser famoso nos seus dias, mas nenhum cristão genuíno que ser um profeta como Balaão. Salomão foi um rei sábio, rico e famoso. Porém, nós não queremos terminar nossos dias como ele terminou os dele. Saul foi rei sobre Israel, bonito e ungido. Mas tampouco queremos ser comparados a ele. Por que? Porque nós sabemos o que Deus falou sobre cada um deles.
Deus também disse que “Davi era um homem, segundo o Seu coração”.
Pois é, no final de tudo, o que conta mesmo, é o testemunho de Deus. A nossa reputação é Deus quem restaura e sustenta, mesmo quando nós mesmos a destruímos.”
“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2:17).
No amor do Senhor Jesus.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O Grande Desafio

Atos 1:8: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”
Algumas coisas têm de ficar claras em nossos corações com relação a esse texto. Vamos que o Senhor Jesus coloca à nossa disposição o poder ou a dinâmica do Espírito Santo para sermos suas testemunhas.
A palavra “testemunha” vem de “mártire”. O que uma testemunha faz? Ela fala ou transmite a outros aquilo que viu, que conhece, que sabe e que experimentou. A ideia do contexto também é de “dar a vida por alguém ou alguma causa”, daí a palavra “mártir” ou “martírio”. Aliás, para os cristãos primitivos, o martírio era um dom. Eles entendiam que era algo precioso morrer fisicamente pela causa do reino. Na literatura da Igreja dos três primeiros séculos, lemos sobre pessoas que se recusavam a se defender, a fugir do martírio. Eles não abriam mão da sua fé diante da morte. Em todas essas coisas está a ideia de que precisamos do poder ou virtude do Espírito Santo para sermos testemunhas de Jesus.
Outro fato que precisamos ter bem claro: De quem somos testemunhas? Quem é esse Jesus do qual somos testemunhas, e qual é a causa dele? Às vezes estamos sendo testemunhas apenas de coisas que nos enlevam, que nos dão paz, alegria, mas não conhecemos, realmente, a pessoa de Jesus e a sua causa.
Hebreus 9:13,14: “Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”
O livro de Hebreus é o que contém mais advertências contra a falta de missão na vida da igreja. Ele mostra-nos, como em nenhum outro lugar, o perigo de ficarmos parados, de não andarmos na revelação que temos. O livro de Hebreus é um chamado a cumprirmos a nossa missão. Não é somente um testemunho acerca de quem é Jesus, mas é um compromisso nosso de segui-lo.
O tema básico do livro é a superioridade de Cristo e da nova aliança em relação à velha aliança. Ele fala da superioridade de Jesus sobre os anjos, sobre Moisés, sobre o sacerdócio levítico, etc.
Hebreus 1:1: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.”
Atos 17:26,27: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós.”
A intenção de Deus ao criar a raça humana foi a de todos buscarem a Deus. Esse é o Seu propósito. Todas as nações, todas as pessoas, buscarem a Deus. Após a queda do homem, Deus chama a nação de Israel. Eles não foram chamados para si mesmos, mas foram chamados para o serviço. O Senhor começou a Se revelar especialmente na história de Israel (Hebreus 1:1). O velho testamento é de suma importância na continuidade da revelação divina e o escritor de Hebreus se localiza nesta tradição. Deus falou “muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.
Para que Deus fala? Para que nós possamos transmitir aquilo que Ele falou. Isso é discipulado! Deus não fala apenas para que guardemos para nós mesmos. Ele falou e os profetas transmitiram Sua fala, e essas falas se transformaram em um registro escrito, no caso, o velho testamento, que tem autoridade irrestrita porque Deus falou.
Não despreze o que Deus falou no velho testamento. Desprezar o que Ele falou é incredulidade e ignorância. Este é um fato que nos dá segurança: Deus se comunicou com o homem. Se não tivéssemos o velho testamento, não teríamos o registro da fala de Deus com um povo, para que esse povo transmitisse o que Ele falou para as demais nações. Esta foi a promessa de Deus a Abraão: que nele seriam benditas todas as nações da terra (Gênesis 12:1-3, 17:4-9).
A nova aliança de Jesus está tipificada na velha aliança, no velho testamento: “A nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” O ponto culminante da revelação é que “o verbo se fez carne” (João 1:14); o elemento divino feito elemento humano. A fonte de toda revelação é Deus, mas o instrumento da revelação é Jesus. Em Jesus nós temos o elemento divino e o elemento humano. Então, a revelação de Jesus é conclusiva, e nos torna também parte dessa revelação conclusiva, porque “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12).
O Evangelho é anunciado hoje pelos filhos de Deus. O novo testamento torna completa toda a revelação que o velho testamento preconizou. “Nestes últimos dias” é o tempo escatológico, ou seja, o período que compreende desde a primeira até a segunda vinda de Jesus; neste tempo, Deus nos falou pelo Seu Filho.
Mateus 28:20: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
Somos exortados a guardar e ensinar a outros tudo aquilo que Jesus nos ensinou. Em seguida, ele enviou o Espírito Santo para nos capacitar a isso. Depois, veio o apóstolo Paulo e, por meio de suas cartas, completou essa revelação.
Sabendo que Deus falou aos pais pelos profetas e, depois, pelo Seu Filho, então temos uma mensagem. Não temos só um poder, mas temos uma mensagem. Não é pregar ou ensinar qualquer coisa, não é inventar uma mensagem. Deus falou, e nós somos instrumentos de transmissão da fala de Deus pelo poder do Espírito Santo.
Quem é, então, esse Jesus, o qual nos transmitiu a revelação conclusiva e final nestes últimos dias?
1) Ele é o Criador.
Colossenses 1:16,17: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”
Hebreus 1:2: “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.”
Das suas mãos surgiu o mundo visível e o mundo invisível. É ele quem nos fala, quem nos batiza com o Espírito Santo e quem nos comissiona a pregar o evangelho.
2) Ele é a imagem exata de Deus.
Colossenses 1:15: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação...”
Hebreus 1:3a: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa...”
Tudo o que o Pai é, Jesus expressa. Assim, ele pode dizer: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). João disse: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18). O Filho foi revelado a nós pelo Pai.
3) Ele é o sustentador de todas as coisas.
Hebreus 1:3b: “...e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder...”
A palavra de Deus é a única que pode preservar o mundo da destruição. Deus o sustenta pela palavra do Seu poder. Diante do assédio dos poderes demoníacos que querem destruir o mundo, Jesus sustenta todas as coisas e tem em nós os instrumentos desta mensagem, que é o evangelho. Se não houvesse a palavra o mundo estaria em trevas absoluta.
4) Ele é o remidor.
Hebreus 1:3c: “...havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados...”
O ato de reconciliação e redenção é idêntico ao ato da criação. A redenção traz à luz uma nova criação.
5) Ele é o Rei.
Hebreus 1:3d: “...assentou-se à destra da majestade nas alturas...”
Salmos 110:1: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
6) Ele é o Senhor.
Hebreus 1:4,13: “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles... E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”
Filipenses 2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
Cristo herdou um nome superior ao dos anjos e, por meio da exaltação desse nome, o reinado messiânico é consumado. Os dois ofícios, rei e sacerdote, se cumprem em Cristo. Ele é tanto o nosso Sumo Sacerdote, à direita de Deus, como também é o nosso Senhor.
Então, quem é Jesus do qual devemos dar testemunho no poder do Espírito Santo? Ele é o Criador, a imagem exata de Deus, o sustentador de todas as coisas, o nosso remidor, rei e Senhor.
É preciso nos enchermos da convicção dessa revelação, para que não apresentemos às nações um Jesus diferente do que Ele é, apenas ocidentalizado, aculturado, psicólogo, mestre de religião ou médico. Um evangelho que tem o homem como centro, e não Cristo, é um evangelho antropocêntrico e não Cristocêntrico. Se apresentarmos um evangelho onde Jesus é o centro, tudo o que o homem precisa será suprido.
Até que ponto estamos dispostos a abrir mão de todas as coisas que somos e temos por amor do evangelho? Para isso precisamos do poder do Espírito, e responder à Sua atuação nas nossas vidas.
E sobre a nossa missão? Embora o livro de Hebreus ressalte a supremacia de Cristo e a nova aliança, ele também ressalta a missão cristã de proclamar Jesus e o perigo de não fazê-lo. Acreditamos que Jesus irá voltar, mas vivemos como se ele não fosse voltar. Dizemos que somos salvos, que temos Jesus e que pregar o evangelho é uma alternativa que temos, e não uma missão. Permitimos que as coisas dessa vida sufoquem a palavra, e não temos a coragem de pregar o evangelho. Dizemos que, se tivermos uma chance ou oportunidade, falaremos; caso contrário, não. Ou seja, é apenas uma alternativa. E nunca teremos esta oportunidade, porque nunca estaremos preparados. As oportunidades vêm de Deus, mas precisamos estar preparados. Caso contrário, a oportunidade vem e não aproveitamos.
Mateus 23:37: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”
Lucas 19:44: “E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.”
Se não estivermos preparados, perderemos as oportunidades. Esaú tinha o direito da primogenitura, mas, na situação de fome que ele estava, ele vendeu aquele direito e não encontrou mais oportunidade de reavê-lo, embora com lágrimas o tivesse buscado.
Hebreus 11:16,17: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou.”
Existem situações em que não há mais oportunidade de arrependimento; deixamos passar, perdemos o tempo certo.
O livro de Hebreus, como nenhum outro, ressalta o perigo da apostasia.
Hebreus 6:4-6: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.”
Há uma tradução bíblica que diz que “estas pessoas ficam do lado de quem crucificou o Filho de Deus”.
Hebreus 3:12: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.”
Vamos analisar um pouco a natureza da Igreja para entendermos a nossa missão.
Hebreus 1:6-8: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: e todos os anjos de Deus o adorem. E, quanto aos anjos, diz: faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.”
No antigo testamento, o primogênito tinha supremacia entre os irmãos; ele era o filho amado. Tinha dupla parte na herança (Deuteronômio 21:17), governava sobre os irmãos mais novos. Jesus foi introduzido no mundo como um primogênito e, quando ele voltar, novamente será assim. Igualmente, a Igreja de Jesus é uma multidão de amados eleitos que irão participar da soberania universal de Jesus, do reinado do Messias.
Hebreus 12:23,28,29: “À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados ... Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é um fogo consumidor.”
Hebreus 2:1-4: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram, testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”
O evangelho, a partir de Pentecostes, começou a ser pregado a todas as nações (Atos 2:1-5). Pessoas de todas as partes do mundo estavam ali reunidas e foram cheias do Espírito Santo, passando a falar em outras línguas. A seguir, Pedro se levantou e proclamou o evangelho de Cristo. Havia um poder naquela pregação, pois ali estava sendo pregado o reino de Deus, Jesus Cristo como o Senhor.
Atos 2:37-40: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;  Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.”
Quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles entenderam que Jesus estava à direita do Pai, que ele havia chegado lá, que agora Ele reinava!
Filipenses 2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
A partir daquele dia o evangelho começou a ser proclamado por todas as partes e continua até hoje. O capítulo 28 de Atos é um capítulo não concluído, porque a nossa história também tem de estar lá. A história da igreja nos inclui também.
Que, no poder do Espírito Santo, possamos anunciar o evangelho, contar o que aconteceu em nossas vidas, em todas as nações. Esse poder continua até hoje, não acabou. Às vezes estamos tão envolvidos com nossas situações, que achamos já ter alcançado o máximo da nossa experiência, e não conseguimos pensar que Deus quer algo maior, quer alcançar todas as nações da terra.
Deus falou. Falou por meio dos profetas e por meio do Seu Filho. Sabemos quem é Jesus. Sabemos quem nós somos, a igreja dos primogênitos arrolada nos céus. Sabemos que recebemos um reino inabalável o qual podemos anunciar a todas as nações da terra. Sabemos do poder do batismo com o Espírito Santo que manifesta Jesus como Senhor, e sabemos que o senhorio de Jesus sustenta todas as coisas pela sua palavra.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Os Libertinos

Os libertinos existem há muito tempo dentro da Igreja Cristã. Não vamos confundi-los com aqueles que procuram a liberdade da escravidão do pecado, da carne, do mundo e da lei, que é a liberdade cristã propriamente dita, encontrada em Cristo. Nesse sentido, todo crente verdadeiro é livre, ao mesmo tempo em que é escravo de Deus e servo dos seus semelhantes. Paulo fala disso em Romanos 6.

Os libertinos são diferentes. Eles também falam da liberdade cristã, da liberdade de consciência e da liberdade da lei, só que querem também ser livres de Deus e do próximo. Não percebem a liberdade dada por Cristo como estímulo para viver em obediência a Deus e serviço ao próximo, mas como uma licença para fazerem o que tiverem vontade.

Nós os encontramos em todos os períodos da Igreja. Quem não lembra de Balaão, o falso profeta que ensinou os filhos de Israel a se prostituir com as cananitas e a praticar a religião delas, como se fosse algo aceitável a Deus? (Num 31.16).

Encontramos os libertinos infiltrados nas comunidades cristãs primitivas, ensinando que a graça de Deus permitia ao cristão a participação nos sacrifícios pagãos oferecidos nos templos. Paulo encontrou um grupo de libertinos em Corinto, que achava que tudo era lícito ao crente, inclusive participar dos festivais pagãos oferecidos nos templos dos idólatras (1Cor 8—10). O livro de Apocalipse menciona os nicolaítas e os seguidores de Jezabel, grupos libertinos que ensinavam os cristãos a participar das “profundezas de Satanás” (Ap 2.24). Menciona também a “doutrina de Balaão”, que parece ter sido uma designação relativamente comum no séc. I para os libertinos (cf. Ap 2.14). Judas escreveu sua carta para denunciar e enfrentar “certos indivíduos que se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 4).

Na época da Reforma, Calvino referiu-se em uma de suas cartas ao partidos dos libertinos na igreja de Genebra, que usava a “comunhão dos santos” para troca de esposas (mencionado no livro de Piper, Alegria Soberana).

Os libertinos modernos não são diferentes e mantém basicamente as mesmas características dos libertinos denunciados no Novo Testamento, particularmente na carta de Judas, a saber:

1. Os libertinos estão introduzidos nas igrejas e comunidades cristãs, mesmo não sendo verdadeiros crentes em Cristo Jesus, dissimulando suas crenças e práticas até se sentirem seguros para manifestar abertamente o que são. Eles estão presentes nos cultos e festividades como “rochas submersas” (Jd 12), que representam um perigo para a navegação.

2. São pessoas ímpias – isto é, sem piedade pessoal, sem temor a Deus e sem verdadeiro relacionamento com o Senhor Jesus Cristo  – que se apresentam travestidas de cristãos, usando a linguagem cristã e engajadas em práticas cristãs. São arrogantes e aduladores dos outros por interesses (Jd 16). São “sensuais” e “promovem divisões” no corpo de Cristo com suas ideias heréticas (Jd 19).

3. A doutrina libertina é que a graça de Cristo faz com que tudo seja lícito ao cristão, inclusive a prática da imoralidade – que naturalmente não é chamada por esse nome, mas por eufemismos e outros nomes, como sexo livre, amor, etc. Essa doutrina transforma essa graça em libertinagem – é daí que vem o nome “libertinos”.

4. Em última análise, a doutrina dos libertinos nega a Jesus Cristo, que sofreu na cruz para livrar seu povo não somente da culpa do pecado, mas do poder do pecado em suas vidas, conduzindo-os à santidade e pureza. Os libertinos vivem sem nenhum recato (Jd 12).

5. A fonte de autoridade para essa doutrina não é a Escritura, que em todo lugar condena a imoralidade, a concupiscência, a prostituição e o adultério, mas suas experiências pessoais. Judas chama os libertinos de “sonhadores alucinados que contaminam a carne” (Jd 8). O "cristianismo" dos libertinos não é oriundo da revelação de Deus nas Escrituras, mas é fruto da sua mente carnal, “instinto natural, como brutos sem razão” (Jd 10).

Falando claramente e sem rodeios, os libertinos presentes nas igrejas e comunidades evangélicas não veem nada de errado com o sexo antes do casamento, a multiplicidade de parceiros, as relações homossexuais, a pornografia, aventuras amorosas fora do casamento, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, a participação dos cristãos nas diversões mundanas e absorção dos valores desse mundo no vestir, trajar, viver e andar. A agenda libertina é mais ampla do que essa e alguns libertinos são mais radicais que outros. Mas no geral, libertinos são contra qualquer sistema que tenha uma ética definida e clara e que defenda valores morais absolutos e fixos.

Libertinos costumam construir uma imagem de Jesus como uma pessoa inclusivista, que amou a todos sem distinção, jamais condenou ninguém nem se pronunciou contra o pecado de ninguém. Todavia, o Jesus libertino é diferente do Jesus da Bíblia, que o Cristianismo histórico vem anunciando faz dois mil anos.

Se Jesus foi o que os libertinos dizem, ele foi um fracasso, pois seus discípulos mais chegados se tornaram o oposto do que ele queria: Pedro passou a ensinar que a vida nas paixões carnais era pecaminosa (1Pedro 1:13-19), João passou a dizer que a paixão pelas coisas do mundo e da carne não procedem de Deus (1João 2.15-17), Tiago condenou o mundanismo (Tiago 4), o autor de Hebreus disse que temos que lutar até o sangue contra o pecado que nos rodeia (Hebreus 12.1-4) e Paulo declarou que os sodomitas e efeminados não entrarão no Reino de Deus (1Coríntios 6:9-11). Eles certamente não aprenderam essas coisas com o Jesus libertino.

Os libertinos convenientemente calam-se sobre determinadas passagens nos Evangelhos onde Jesus, ao receber prostitutas, cobradores de impostos e pecadores em geral, os ensinava a segui-lo, não cometendo mais pecados, tomando a sua cruz, negando a si próprios e se tornando sal e luz desse mundo em trevas. Nenhuma prostituta, imoral, ladrão, que conheceu Jesus e se tornou seu discípulo continuou na sua vida imoral. Zaqueu, Mateus e Madalena que o digam.