Atos
1:8: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre
vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia
e Samaria, e até aos confins da terra.”
Algumas
coisas têm de ficar claras em nossos corações com relação a esse
texto. Vamos que o Senhor Jesus coloca à nossa disposição o poder ou a
dinâmica do Espírito Santo para sermos suas testemunhas.
A
palavra “testemunha” vem de “mártire”. O que uma testemunha faz? Ela
fala ou transmite a outros aquilo que viu, que conhece, que sabe e que
experimentou. A ideia do contexto também é de “dar a vida por alguém ou
alguma causa”, daí a palavra “mártir” ou “martírio”. Aliás, para os
cristãos primitivos, o martírio era um dom. Eles entendiam que era algo
precioso morrer fisicamente pela causa do reino. Na literatura da
Igreja dos três primeiros séculos, lemos sobre pessoas que se recusavam
a se defender, a fugir do martírio. Eles não abriam mão da sua fé
diante da morte. Em todas essas coisas está a ideia de que precisamos
do poder ou virtude do Espírito Santo para sermos testemunhas de Jesus.
Outro
fato que precisamos ter bem claro: De quem somos testemunhas? Quem é
esse Jesus do qual somos testemunhas, e qual é a causa dele? Às vezes
estamos sendo testemunhas apenas de coisas que nos enlevam, que nos dão
paz, alegria, mas não conhecemos, realmente, a pessoa de Jesus e a sua
causa.
Hebreus
9:13,14: “Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma
novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação
da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se
ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências
das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”
O
livro de Hebreus é o que contém mais advertências contra a falta de
missão na vida da igreja. Ele mostra-nos, como em nenhum outro lugar, o
perigo de ficarmos parados, de não andarmos na revelação que temos. O
livro de Hebreus é um chamado a cumprirmos a nossa missão. Não é somente
um testemunho acerca de quem é Jesus, mas é um compromisso nosso de
segui-lo.
O
tema básico do livro é a superioridade de Cristo e da nova aliança em
relação à velha aliança. Ele fala da superioridade de Jesus sobre os
anjos, sobre Moisés, sobre o sacerdócio levítico, etc.
Hebreus
1:1: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas
maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias
pelo Filho.”
Atos
17:26,27: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para
habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes
ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor,
se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de
cada um de nós.”
A
intenção de Deus ao criar a raça humana foi a de todos buscarem a
Deus. Esse é o Seu propósito. Todas as nações, todas as pessoas,
buscarem a Deus. Após a queda do homem, Deus chama a nação de Israel.
Eles não foram chamados para si mesmos, mas foram chamados para o
serviço. O Senhor começou a Se revelar especialmente na história de
Israel (Hebreus 1:1). O velho testamento é de suma importância na
continuidade da revelação divina e o escritor de Hebreus se localiza
nesta tradição. Deus falou “muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.
Para
que Deus fala? Para que nós possamos transmitir aquilo que Ele falou.
Isso é discipulado! Deus não fala apenas para que guardemos para nós
mesmos. Ele falou e os profetas transmitiram Sua fala, e essas falas se
transformaram em um registro escrito, no caso, o velho testamento, que
tem autoridade irrestrita porque Deus falou.
Não
despreze o que Deus falou no velho testamento. Desprezar o que Ele
falou é incredulidade e ignorância. Este é um fato que nos dá segurança:
Deus se comunicou com o homem. Se não tivéssemos o velho testamento,
não teríamos o registro da fala de Deus com um povo, para que esse povo
transmitisse o que Ele falou para as demais nações. Esta foi a promessa
de Deus a Abraão: que nele seriam benditas todas as nações da terra
(Gênesis 12:1-3, 17:4-9).
A nova aliança de Jesus está tipificada na velha aliança, no velho testamento: “A nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” O ponto culminante da revelação é que “o verbo se fez carne”
(João 1:14); o elemento divino feito elemento humano. A fonte de toda
revelação é Deus, mas o instrumento da revelação é Jesus. Em Jesus nós
temos o elemento divino e o elemento humano. Então, a revelação de
Jesus é conclusiva, e nos torna também parte dessa revelação
conclusiva, porque “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12).
O
Evangelho é anunciado hoje pelos filhos de Deus. O novo testamento
torna completa toda a revelação que o velho testamento preconizou. “Nestes últimos dias”
é o tempo escatológico, ou seja, o período que compreende desde a
primeira até a segunda vinda de Jesus; neste tempo, Deus nos falou pelo
Seu Filho.
Mateus
28:20: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho
mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos
séculos. Amém.”
Somos
exortados a guardar e ensinar a outros tudo aquilo que Jesus nos
ensinou. Em seguida, ele enviou o Espírito Santo para nos capacitar a
isso. Depois, veio o apóstolo Paulo e, por meio de suas cartas,
completou essa revelação.
Sabendo
que Deus falou aos pais pelos profetas e, depois, pelo Seu Filho,
então temos uma mensagem. Não temos só um poder, mas temos uma
mensagem. Não é pregar ou ensinar qualquer coisa, não é inventar uma
mensagem. Deus falou, e nós somos instrumentos de transmissão da fala
de Deus pelo poder do Espírito Santo.
Quem é, então, esse Jesus, o qual nos transmitiu a revelação conclusiva e final nestes últimos dias?
1) Ele é o Criador.
Colossenses
1:16,17: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e
na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam
principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E
ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”
Hebreus 1:2: “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.”
Das
suas mãos surgiu o mundo visível e o mundo invisível. É ele quem nos
fala, quem nos batiza com o Espírito Santo e quem nos comissiona a
pregar o evangelho.
2) Ele é a imagem exata de Deus.
Colossenses 1:15: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação...”
Hebreus 1:3a: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa...”
Tudo o que o Pai é, Jesus expressa. Assim, ele pode dizer: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). João disse: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18). O Filho foi revelado a nós pelo Pai.
3) Ele é o sustentador de todas as coisas.
Hebreus 1:3b: “...e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder...”
A
palavra de Deus é a única que pode preservar o mundo da destruição.
Deus o sustenta pela palavra do Seu poder. Diante do assédio dos poderes
demoníacos que querem destruir o mundo, Jesus sustenta todas as coisas
e tem em nós os instrumentos desta mensagem, que é o evangelho. Se não
houvesse a palavra o mundo estaria em trevas absoluta.
4) Ele é o remidor.
Hebreus 1:3c: “...havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados...”
O ato de reconciliação e redenção é idêntico ao ato da criação. A redenção traz à luz uma nova criação.
5) Ele é o Rei.
Hebreus 1:3d: “...assentou-se à destra da majestade nas alturas...”
Salmos
110:1: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita,
até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
6) Ele é o Senhor.
Hebreus
1:4,13: “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou
mais excelente nome do que eles... E a qual dos anjos disse jamais:
Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de
teus pés?”
Filipenses
2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um
nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o
joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a
língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
Cristo
herdou um nome superior ao dos anjos e, por meio da exaltação desse
nome, o reinado messiânico é consumado. Os dois ofícios, rei e
sacerdote, se cumprem em Cristo. Ele é tanto o nosso Sumo Sacerdote, à
direita de Deus, como também é o nosso Senhor.
Então,
quem é Jesus do qual devemos dar testemunho no poder do Espírito
Santo? Ele é o Criador, a imagem exata de Deus, o sustentador de todas
as coisas, o nosso remidor, rei e Senhor.
É
preciso nos enchermos da convicção dessa revelação, para que não
apresentemos às nações um Jesus diferente do que Ele é, apenas
ocidentalizado, aculturado, psicólogo, mestre de religião ou médico. Um
evangelho que tem o homem como centro, e não Cristo, é um evangelho
antropocêntrico e não Cristocêntrico. Se apresentarmos um evangelho onde
Jesus é o centro, tudo o que o homem precisa será suprido.
Até
que ponto estamos dispostos a abrir mão de todas as coisas que somos e
temos por amor do evangelho? Para isso precisamos do poder do
Espírito, e responder à Sua atuação nas nossas vidas.
E
sobre a nossa missão? Embora o livro de Hebreus ressalte a supremacia
de Cristo e a nova aliança, ele também ressalta a missão cristã de
proclamar Jesus e o perigo de não fazê-lo. Acreditamos que Jesus irá
voltar, mas vivemos como se ele não fosse voltar. Dizemos que somos
salvos, que temos Jesus e que pregar o evangelho é uma alternativa que
temos, e não uma missão. Permitimos que as coisas dessa vida sufoquem a
palavra, e não temos a coragem de pregar o evangelho. Dizemos que, se
tivermos uma chance ou oportunidade, falaremos; caso contrário, não. Ou
seja, é apenas uma alternativa. E nunca teremos esta oportunidade,
porque nunca estaremos preparados. As oportunidades vêm de Deus, mas
precisamos estar preparados. Caso contrário, a oportunidade vem e não
aproveitamos.
Mateus
23:37: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os
que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como
a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”
Lucas
19:44: “E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti
estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não
conheceste o tempo da tua visitação.”
Se
não estivermos preparados, perderemos as oportunidades. Esaú tinha o
direito da primogenitura, mas, na situação de fome que ele estava, ele
vendeu aquele direito e não encontrou mais oportunidade de reavê-lo,
embora com lágrimas o tivesse buscado.
Hebreus
11:16,17: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma
refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que,
querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não
achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou.”
Existem situações em que não há mais oportunidade de arrependimento; deixamos passar, perdemos o tempo certo.
O livro de Hebreus, como nenhum outro, ressalta o perigo da apostasia.
Hebreus
6:4-6: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e
provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito
Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século
futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois
assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem
ao vitupério.”
Há uma tradução bíblica que diz que “estas pessoas ficam do lado de quem crucificou o Filho de Deus”.
Hebreus 3:12: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.”
Vamos analisar um pouco a natureza da Igreja para entendermos a nossa missão.
Hebreus
1:6-8: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: e
todos os anjos de Deus o adorem. E, quanto aos anjos, diz: faz dos seus
anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho,
diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de
eqüidade é o cetro do teu reino.”
No
antigo testamento, o primogênito tinha supremacia entre os irmãos; ele
era o filho amado. Tinha dupla parte na herança (Deuteronômio 21:17),
governava sobre os irmãos mais novos. Jesus foi introduzido no mundo
como um primogênito e, quando ele voltar, novamente será assim.
Igualmente, a Igreja de Jesus é uma multidão de amados eleitos que irão
participar da soberania universal de Jesus, do reinado do Messias.
Hebreus
12:23,28,29: “À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que
estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos
justos aperfeiçoados ... Por isso, tendo recebido um reino que não
pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus
agradavelmente, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é um
fogo consumidor.”
Hebreus
2:1-4: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as
coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos
delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda
a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como
escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual,
começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos
que a ouviram, testificando também Deus com eles, por sinais, e
milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por
sua vontade?”
O
evangelho, a partir de Pentecostes, começou a ser pregado a todas as
nações (Atos 2:1-5). Pessoas de todas as partes do mundo estavam ali
reunidas e foram cheias do Espírito Santo, passando a falar em outras
línguas. A seguir, Pedro se levantou e proclamou o evangelho de Cristo.
Havia um poder naquela pregação, pois ali estava sendo pregado o reino
de Deus, Jesus Cristo como o Senhor.
Atos
2:37-40: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e
perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? E
disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em
nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do
Espírito Santo; Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos
filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor
chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava,
dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.”
Quando
o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles entenderam que Jesus
estava à direita do Pai, que ele havia chegado lá, que agora Ele
reinava!
Filipenses
2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um
nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o
joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a
língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
A
partir daquele dia o evangelho começou a ser proclamado por todas as
partes e continua até hoje. O capítulo 28 de Atos é um capítulo não
concluído, porque a nossa história também tem de estar lá. A história da
igreja nos inclui também.
Que,
no poder do Espírito Santo, possamos anunciar o evangelho, contar o
que aconteceu em nossas vidas, em todas as nações. Esse poder continua
até hoje, não acabou. Às vezes estamos tão envolvidos com nossas
situações, que achamos já ter alcançado o máximo da nossa experiência, e
não conseguimos pensar que Deus quer algo maior, quer alcançar todas
as nações da terra.
Deus
falou. Falou por meio dos profetas e por meio do Seu Filho. Sabemos
quem é Jesus. Sabemos quem nós somos, a igreja dos primogênitos arrolada
nos céus. Sabemos que recebemos um reino inabalável o qual podemos
anunciar a todas as nações da terra. Sabemos do poder do batismo com o
Espírito Santo que manifesta Jesus como Senhor, e sabemos que o senhorio
de Jesus sustenta todas as coisas pela sua palavra.