sexta-feira, 25 de abril de 2014

Crianças podem ser más?

Crianças podem ser más? Esse é o mais recente debate levantado a partir de uma novela global. Serviu para, pelo menos, uma coisa! Mas a pergunta inicial é, por que a pergunta precisa ser feita?

A resposta sociológica vem na matéria da Revista Época: "Um obstáculo para o tratamento de crianças com sinais de transtorno de conduta é o próprio tabu da maldade infantil. O senso comum afirma que as crianças são inocentes – uma crença que resulta da evolução histórica da família. Até o século XVII as crianças eram consideradas pequenos adultos e muitas nem sequer eram criadas pelos pais. No século XVIII, isso mudou. A família burguesa fechou-se em si mesma, dentro de casa. O lar virou um santuário e a criança o centro dos cuidados e das atenções. Foi o nascimento do sentimento de infância, dentro de um grupo que agora tinha como laços o afeto e o prazer da convivência. Se a criança é o eixo do sentimento moderno de família, ela não pode ser má. Eis o tabu." Como bem diz o texto, é uma crença social, senso comum. O que não diz a matéria é que essa crença tem sido usada como teoria educacional há várias décadas, a partir das teorias de Piaget e do construtivismo (que parte do princípio da neutralidade moral da criança, explicada em seu livro "O Juízo Moral da Criança - para uma ampla exposição do tema, veja o livro de Solano Portela, "O que estão ensinando aos nossos filhos?

Mas o que a doutrina bíblica diz a respeito? Ora, uma doutrina clássica, rejeitada, inclusive por muitos cristãos, é a doutrina da depravação total do ser humano. Em suma, essa doutrina afirma que a partir da queda, o ser humano, em busca de autonomia, rejeitou a santidade de Deus e não tem mais como agradá-lo. Em tese, todos temos o potencial para ser Hitler ou ter "desvio de conduta", isto inclui, sim, as crianças. Elas podem ser más e pais podem ser ainda piores, abusando, seviciando e até matando os próprios filhos (basta ver o jornal para ver as últimas manchetes a respeito do pai e madrasta que assassinaram o filho, de 6 anos, com crueldade, por motivos mais do que fúteis). Mas, os especialistas já deram o seu veredicto na matéria: "Os especialistas afirmam que não se cura transtorno de conduta, mas ele pode ser amenizado".

E como a teologia poderia falar contra os especialistas? Afinal, a teologia não tem espaço na arena pública, é matéria de crença! Mas e a pressuposição a respeito da neutralidade das crianças, não é? Perceba o leitor que o que a sociedade crê a respeito da infância vira, em Piaget, teoria educacional, supostamente um especialista falando, aplicada por mais de 30 anos em nossas escolas. É claro que o próximo passo será a busca de uma razão fisiológica, afinal, no mundo contemporâneo tudo pode ser explicado sem causas espirituais.

A fé cristã vê a questão por dois ângulos: 1) a causa primária de qualquer 'transtorno', é sempre a mesma, a condição humana de queda e distância de Deus, até se houver uma explicação fisiológica/biológica . 2) a fé cristã acredita em redenção, uma salvação que está acima de nossas habilidades de "explicar" todas as coisas e fazer coisas que nós, homens, não podemos fazer. Sei, isto faz de mim um obscurantista...

terça-feira, 15 de abril de 2014

Noé no Brasil

Não, não vou falar do filme NOÉ. Afinal, já tem muita gente falando e dando opinião a respeito dele. Mas confesso que vou pegar a "onda" (desculpe o trocadilho atroz) e repostar um texto que traduzi, que ronda a Internet ,e tropicalizei-o às condições peculiares de nossa terrinha...

Um amigo meu, sobrevivente da grande cheia recifense de 1975, teve um pesadelo. Ele testemunhava o que ocorria com Noé, só que o patriarca morava no Brasil, nos nossos dias:
-----------------------------------------
Noé nunca tinha visto chuva em sua vida e fica espantado quando ouve uma voz retumbante dizendo: “Em um ano eu farei chover sobre toda a terra. Ela será coberta com água até que tudo esteja destruído, começando aí no Brasil, mas quero que você salve os justos e dois espécimes de cada animal. Assim, estou lhe comandando a construir uma ARCA”!

No meio de um relâmpago, num piscar de olhos, caem às mãos de Noé os desenhos e todas as especificações da Arca a ser construída.

Tremendo de pavor, Noé pega o projeto e concorda com a construção da Arca. “Lembre-se”, diz a voz, “Você tem que terminar a Arca e ter tudo e todos a bordo dentro de um ano”.

Passa-se exatamente um ano, no sonho, e uma tormenta monumental cobre toda a terra. Os mares estão agitados e tumultuados, mas Noé está sentado no terreno de sua casa, chorando!

“Noé”, ressoa novamente a voz, “onde está a ARCA”?

“Perdoe-me”, clama Noé. “Fiz o que eu pude, mas os problemas foram terríveis”!

“Primeiro, eu tive de obter uma licença de construção e o projeto da Arca não se enquadrava no código naval, nem estava assinado por um engenheiro credenciado na Marinha. Tive que contratar uma firma especializada para redesenhar tudo”!

“Depois, fiquei sabendo que o Distrito Naval havia feito um convênio de segurança e entrei numa questão judicial com o CONTRU, pois insistiam que a Arca precisava de uma sistema de ‘sprinklers’ contra incêndios e, além disso, a Capitania dos Portos exigia uma enormidade de coletes-salva-vidas”.

“Ai o meu vizinho ligou para o ‘Psiu’ dizendo que eu estava fazendo muito barulho e depois para a prefeitura, alegando que a construção da Arca no quintal da frente, violava o zoneamento da Capital. Tive que estar presente a cinco audiências na comissão de planejamento municipal até conseguir um certificado de exceção, para dar andamento ao projeto”.
"Quando a ARCA estava com a estrutura pronta, passou um protesto pela frente da minha rua e os Black Blocs tocaram fogo nela, enquanto a polícia olhava de longe, 'protegendo' os manifestantes. Sem chuva, tive um trabalho enorme para apagar o fogo".

“Tive problemas na compra de madeira para construir a Arca em função da proibição de corte de árvores, para proteção do mico-leão na Mata Atlântica. Finalmente, consegui convencer a Secretaria Estadual de Proteção à Fauna e Flora que eu precisava da madeira EXATAMENTE para salvar o mico-leão, mas a Polícia Florestal não me deixou pegar um casal de micos-leão. Sem mico-leão, não havia o que salvar”.

“Os marceneiros que eu havia contratado foram visitados pelo carro de som do Sindicato dos Trabalhadores em Madeira que convenceu-os a procurar a proteção do Sindicato. Na semana seguinte, fizeram uma greve, querendo intervalos para lanche de 2 em 2 horas e recusando-se a trabalhar horas extras. Tive de negociar até com a CUT e agora, em vez dos 8 carpinteiros que contratei quando comecei, tenho 16, que trabalham 5 horas a menos por semana do que os 8 que eu tinha, no início. E ainda não tenho os micos-leão”.

“Quando comecei a juntar os outros casais de animais, fui interpelado judicialmente pela Associação de Proteção aos Animais. Eles argumentavam que eu estava levando somente dois de cada espécie, o que provocaria solidão indevida – caso um dos parceiros rejeitasse o outro, além de confinamento desumano, pelo período em que permaneceriam na Arca”.

“Assim que consegui descaracterizar a legitimidade desse processo, o Ministério do Meio Ambiente, lá de Brasília, me intimou dizendo que eu não poderia completar a construção da Arca, sem dar entrada em um Estudo de Impacto Ambiental do Dilúvio que eu estou anunciando. Disseram que nem o Rodoanel de São Paulo, que vai beneficiar 18 milhões de pessoas eles aprovam, quanto mais uma arca que vai servir a uma família e uma porção de animais. Apesar da minha insistência, eles não consideraram com seriedade meus argumentos de que eles não teriam jurisdição sobre a conduta do Criador. Pensaram até que eu estava falando do Presidente da República”.

“Em paralelo, o Ministério do Exército ficou sabendo dos planos de construção da Arca. As pessoas lá acharam que a questão do dilúvio era prejudicial à segurança nacional e me pediram um desenho detalhado da proposta do dilúvio. Eu enviei para eles um globo terrestre, que eu tinha lá em casa, mas ficaram ofendidos, achando que eu estava ‘tirando sarro’ deles e ameaçam mandar uns Brucutus, aqui para frente de minha casa, para impedir o andamento do projeto”.

“Atualmente estou empenhado em resolver um problema com a Comissão de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados. Eles me acusam de discriminação e exigem que, dentro da arca, eu tenha um número idêntico de pessoas que sejam descrentes e neguem a Deus. A militância GAY está exigindo a inclusão de um casal representante (do mesmo sexo...), na arca, além de protestarem a seleção de apenas um animal de cada sexo, querem que eu inclua um terceiro, em cada casal”.

“A Receita Federal quebrou o meu sigilo bancário e telefônico e abriu um processo para confiscar todos os meus bens, pois está convencida que estou construindo a Arca para fugir do país e investiga se paguei o IPI, PIS, COFINS e a Contribuição Social sobre o lucro presumido, com os ingressos da Arca”.

“A Secretaria da Fazenda solicita o pagamento de ICMS, pois classificou a Arca como ‘veículo de recreação e entretenimento’, enquanto que o município quer cobrar ISS utilizando exatamente o mesmo raciocínio”.

“Finalmente, fui processado pela Associação de Liberdades Civis por um País LAICO, para que o trabalho na Arca fosse paralisado. A alegação deles é que o Dilúvio que estou anunciando é um evento religioso e que é inconstitucional, considerando a abrangência proposta do evento”.

“Não creio que possa terminar a Arca antes de uns 5 ou 6 anos”, choramingou Noé.

Noé olhou para o céu e viu a tempestade clareando. O mar começou a se acalmar. Um arco-íris formou-se de ponta a ponta. Noé levantou-se, esperançoso: “Isso quer dizer que a terra não vai mais ser destruída?” “Não”, exclamou a voz, “Os governantes já fizeram isso, completamente”!

Meu amigo acordou, suando...
 

terça-feira, 1 de abril de 2014

O Susurro de Deus

"Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade". (Eclesiastes 5:10)
Conta-se que um amigo levou um índio para passear no centro de São Paulo.
Seus olhos não conseguiam acreditar na altura dos edifícios e ele mal conseguia acompanhar o ritmo frenético das pessoas indo e vindo. Espantava-se com o barulho ensurdecedor das sirenes, dos automóveis, das pessoas falando em voz alta. De repente, o índio falou: "Ouço um grilo!"
O amigo espantado retrucou: "Impossível ouvir um inseto tão pequeno nessa confusão!" O índio insistiu que ouvia o cantar de um grilo. Tomando o seu cicerone pela mão, levou-o até um canteiro de plantas. Afastando as folhas, apontou para o pequeno inseto. "Como?" Perguntou o amigo, ainda sem crer. O índio pediu-lhe algumas moedas, e então jogou-as na calçada. Quando elas caíram e se ouviu o tilintar do metal, muita gente se voltou.
“Escutei o grilo porque o meu ouvido está acostumado com este tipo de barulho”. As pessoas aqui ouvem o dinheiro caindo no chão porque foram condicionadas a reagirem a esse tipo de estímulo. Depois arrematou: "A gente ouve o que está acostumado ou treinado a ouvir."

Vivemos em um mundo materialista. A vida nos impõe que sejamos muitas vezes duros. Acabamos nos tornando céticos. A voz de Deus não é ouvida senão por aqueles que tem o ouvido sensível. Muitas vezes a correria da vida e as agitações da nossa alma inquieta não nos permite perceber o Divino.

Treinamos os nossos sentidos para reagir apenas aos impulsos da sobrevivência, mas há realidades que só se percebem com o espírito. Aqueles que aquietam o coração e se deixam tocar pelo Eterno, escutam o sussurro de Deus.

Desejo que todos consigamos, apesar do tumulto que nos cerca, escutar o sussurro de Deus.

AUTOR DESCONHECIDO

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Reputação e o Copo

Recentemente, vendo as notícias do Face, li esta mensagem do copo. Então me lembrei que um dia um pastor, tentando justificar suas feridas, me contou uma parábola parecida com esta do copo. Ele havia sido difamado por outro pastor. Porém, um belo dia, o difamador pediu perdão. O pastor ferido me disse com base na parábola do “copo”: – “Está vendo Franco, o pedido de perdão dele não pode reparar o dano que ele me causou. Na verdade, ninguém mais pode restaurar a minha reputação”.


Imediatamente, perguntei a ele: – “Quem foi o rei Davi? Ele prontamente me respondeu: – “Um homem segundo o coração de Deus”. Concluí: – Interessante! Você poderia dizer que Davi foi um soberbo, pois fez um senso para se engrandecer, ou um adúltero, pois deitou com a mulher de outro homem, ou ainda um assassino, mas você só consegue se lembrar de que ele foi um homem segundo o coração de Deus.
Balaão foi um profeta procurado por um rei distante. Deveria ser famoso nos seus dias, mas nenhum cristão genuíno que ser um profeta como Balaão. Salomão foi um rei sábio, rico e famoso. Porém, nós não queremos terminar nossos dias como ele terminou os dele. Saul foi rei sobre Israel, bonito e ungido. Mas tampouco queremos ser comparados a ele. Por que? Porque nós sabemos o que Deus falou sobre cada um deles.
Deus também disse que “Davi era um homem, segundo o Seu coração”.
Pois é, no final de tudo, o que conta mesmo, é o testemunho de Deus. A nossa reputação é Deus quem restaura e sustenta, mesmo quando nós mesmos a destruímos.”
“Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 João 2:17).
No amor do Senhor Jesus.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O Grande Desafio

Atos 1:8: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”
Algumas coisas têm de ficar claras em nossos corações com relação a esse texto. Vamos que o Senhor Jesus coloca à nossa disposição o poder ou a dinâmica do Espírito Santo para sermos suas testemunhas.
A palavra “testemunha” vem de “mártire”. O que uma testemunha faz? Ela fala ou transmite a outros aquilo que viu, que conhece, que sabe e que experimentou. A ideia do contexto também é de “dar a vida por alguém ou alguma causa”, daí a palavra “mártir” ou “martírio”. Aliás, para os cristãos primitivos, o martírio era um dom. Eles entendiam que era algo precioso morrer fisicamente pela causa do reino. Na literatura da Igreja dos três primeiros séculos, lemos sobre pessoas que se recusavam a se defender, a fugir do martírio. Eles não abriam mão da sua fé diante da morte. Em todas essas coisas está a ideia de que precisamos do poder ou virtude do Espírito Santo para sermos testemunhas de Jesus.
Outro fato que precisamos ter bem claro: De quem somos testemunhas? Quem é esse Jesus do qual somos testemunhas, e qual é a causa dele? Às vezes estamos sendo testemunhas apenas de coisas que nos enlevam, que nos dão paz, alegria, mas não conhecemos, realmente, a pessoa de Jesus e a sua causa.
Hebreus 9:13,14: “Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?”
O livro de Hebreus é o que contém mais advertências contra a falta de missão na vida da igreja. Ele mostra-nos, como em nenhum outro lugar, o perigo de ficarmos parados, de não andarmos na revelação que temos. O livro de Hebreus é um chamado a cumprirmos a nossa missão. Não é somente um testemunho acerca de quem é Jesus, mas é um compromisso nosso de segui-lo.
O tema básico do livro é a superioridade de Cristo e da nova aliança em relação à velha aliança. Ele fala da superioridade de Jesus sobre os anjos, sobre Moisés, sobre o sacerdócio levítico, etc.
Hebreus 1:1: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho.”
Atos 17:26,27: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós.”
A intenção de Deus ao criar a raça humana foi a de todos buscarem a Deus. Esse é o Seu propósito. Todas as nações, todas as pessoas, buscarem a Deus. Após a queda do homem, Deus chama a nação de Israel. Eles não foram chamados para si mesmos, mas foram chamados para o serviço. O Senhor começou a Se revelar especialmente na história de Israel (Hebreus 1:1). O velho testamento é de suma importância na continuidade da revelação divina e o escritor de Hebreus se localiza nesta tradição. Deus falou “muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas”.
Para que Deus fala? Para que nós possamos transmitir aquilo que Ele falou. Isso é discipulado! Deus não fala apenas para que guardemos para nós mesmos. Ele falou e os profetas transmitiram Sua fala, e essas falas se transformaram em um registro escrito, no caso, o velho testamento, que tem autoridade irrestrita porque Deus falou.
Não despreze o que Deus falou no velho testamento. Desprezar o que Ele falou é incredulidade e ignorância. Este é um fato que nos dá segurança: Deus se comunicou com o homem. Se não tivéssemos o velho testamento, não teríamos o registro da fala de Deus com um povo, para que esse povo transmitisse o que Ele falou para as demais nações. Esta foi a promessa de Deus a Abraão: que nele seriam benditas todas as nações da terra (Gênesis 12:1-3, 17:4-9).
A nova aliança de Jesus está tipificada na velha aliança, no velho testamento: “A nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho.” O ponto culminante da revelação é que “o verbo se fez carne” (João 1:14); o elemento divino feito elemento humano. A fonte de toda revelação é Deus, mas o instrumento da revelação é Jesus. Em Jesus nós temos o elemento divino e o elemento humano. Então, a revelação de Jesus é conclusiva, e nos torna também parte dessa revelação conclusiva, porque “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (João 1:12).
O Evangelho é anunciado hoje pelos filhos de Deus. O novo testamento torna completa toda a revelação que o velho testamento preconizou. “Nestes últimos dias” é o tempo escatológico, ou seja, o período que compreende desde a primeira até a segunda vinda de Jesus; neste tempo, Deus nos falou pelo Seu Filho.
Mateus 28:20: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
Somos exortados a guardar e ensinar a outros tudo aquilo que Jesus nos ensinou. Em seguida, ele enviou o Espírito Santo para nos capacitar a isso. Depois, veio o apóstolo Paulo e, por meio de suas cartas, completou essa revelação.
Sabendo que Deus falou aos pais pelos profetas e, depois, pelo Seu Filho, então temos uma mensagem. Não temos só um poder, mas temos uma mensagem. Não é pregar ou ensinar qualquer coisa, não é inventar uma mensagem. Deus falou, e nós somos instrumentos de transmissão da fala de Deus pelo poder do Espírito Santo.
Quem é, então, esse Jesus, o qual nos transmitiu a revelação conclusiva e final nestes últimos dias?
1) Ele é o Criador.
Colossenses 1:16,17: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”
Hebreus 1:2: “A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.”
Das suas mãos surgiu o mundo visível e o mundo invisível. É ele quem nos fala, quem nos batiza com o Espírito Santo e quem nos comissiona a pregar o evangelho.
2) Ele é a imagem exata de Deus.
Colossenses 1:15: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação...”
Hebreus 1:3a: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa...”
Tudo o que o Pai é, Jesus expressa. Assim, ele pode dizer: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30). João disse: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (João 1:18). O Filho foi revelado a nós pelo Pai.
3) Ele é o sustentador de todas as coisas.
Hebreus 1:3b: “...e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder...”
A palavra de Deus é a única que pode preservar o mundo da destruição. Deus o sustenta pela palavra do Seu poder. Diante do assédio dos poderes demoníacos que querem destruir o mundo, Jesus sustenta todas as coisas e tem em nós os instrumentos desta mensagem, que é o evangelho. Se não houvesse a palavra o mundo estaria em trevas absoluta.
4) Ele é o remidor.
Hebreus 1:3c: “...havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados...”
O ato de reconciliação e redenção é idêntico ao ato da criação. A redenção traz à luz uma nova criação.
5) Ele é o Rei.
Hebreus 1:3d: “...assentou-se à destra da majestade nas alturas...”
Salmos 110:1: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.”
6) Ele é o Senhor.
Hebreus 1:4,13: “Feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles... E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, Até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”
Filipenses 2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
Cristo herdou um nome superior ao dos anjos e, por meio da exaltação desse nome, o reinado messiânico é consumado. Os dois ofícios, rei e sacerdote, se cumprem em Cristo. Ele é tanto o nosso Sumo Sacerdote, à direita de Deus, como também é o nosso Senhor.
Então, quem é Jesus do qual devemos dar testemunho no poder do Espírito Santo? Ele é o Criador, a imagem exata de Deus, o sustentador de todas as coisas, o nosso remidor, rei e Senhor.
É preciso nos enchermos da convicção dessa revelação, para que não apresentemos às nações um Jesus diferente do que Ele é, apenas ocidentalizado, aculturado, psicólogo, mestre de religião ou médico. Um evangelho que tem o homem como centro, e não Cristo, é um evangelho antropocêntrico e não Cristocêntrico. Se apresentarmos um evangelho onde Jesus é o centro, tudo o que o homem precisa será suprido.
Até que ponto estamos dispostos a abrir mão de todas as coisas que somos e temos por amor do evangelho? Para isso precisamos do poder do Espírito, e responder à Sua atuação nas nossas vidas.
E sobre a nossa missão? Embora o livro de Hebreus ressalte a supremacia de Cristo e a nova aliança, ele também ressalta a missão cristã de proclamar Jesus e o perigo de não fazê-lo. Acreditamos que Jesus irá voltar, mas vivemos como se ele não fosse voltar. Dizemos que somos salvos, que temos Jesus e que pregar o evangelho é uma alternativa que temos, e não uma missão. Permitimos que as coisas dessa vida sufoquem a palavra, e não temos a coragem de pregar o evangelho. Dizemos que, se tivermos uma chance ou oportunidade, falaremos; caso contrário, não. Ou seja, é apenas uma alternativa. E nunca teremos esta oportunidade, porque nunca estaremos preparados. As oportunidades vêm de Deus, mas precisamos estar preparados. Caso contrário, a oportunidade vem e não aproveitamos.
Mateus 23:37: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!”
Lucas 19:44: “E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.”
Se não estivermos preparados, perderemos as oportunidades. Esaú tinha o direito da primogenitura, mas, na situação de fome que ele estava, ele vendeu aquele direito e não encontrou mais oportunidade de reavê-lo, embora com lágrimas o tivesse buscado.
Hebreus 11:16,17: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou.”
Existem situações em que não há mais oportunidade de arrependimento; deixamos passar, perdemos o tempo certo.
O livro de Hebreus, como nenhum outro, ressalta o perigo da apostasia.
Hebreus 6:4-6: “Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério.”
Há uma tradução bíblica que diz que “estas pessoas ficam do lado de quem crucificou o Filho de Deus”.
Hebreus 3:12: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.”
Vamos analisar um pouco a natureza da Igreja para entendermos a nossa missão.
Hebreus 1:6-8: “E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: e todos os anjos de Deus o adorem. E, quanto aos anjos, diz: faz dos seus anjos espíritos, E de seus ministros labareda de fogo. Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino.”
No antigo testamento, o primogênito tinha supremacia entre os irmãos; ele era o filho amado. Tinha dupla parte na herança (Deuteronômio 21:17), governava sobre os irmãos mais novos. Jesus foi introduzido no mundo como um primogênito e, quando ele voltar, novamente será assim. Igualmente, a Igreja de Jesus é uma multidão de amados eleitos que irão participar da soberania universal de Jesus, do reinado do Messias.
Hebreus 12:23,28,29: “À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados ... Por isso, tendo recebido um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e santo temor, porque o nosso Deus é um fogo consumidor.”
Hebreus 2:1-4: “Portanto, convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas. Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição, como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram, testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?”
O evangelho, a partir de Pentecostes, começou a ser pregado a todas as nações (Atos 2:1-5). Pessoas de todas as partes do mundo estavam ali reunidas e foram cheias do Espírito Santo, passando a falar em outras línguas. A seguir, Pedro se levantou e proclamou o evangelho de Cristo. Havia um poder naquela pregação, pois ali estava sendo pregado o reino de Deus, Jesus Cristo como o Senhor.
Atos 2:37-40: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;  Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. E com muitas outras palavras isto testificava, e os exortava, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa.”
Quando o Espírito Santo desceu sobre os discípulos, eles entenderam que Jesus estava à direita do Pai, que ele havia chegado lá, que agora Ele reinava!
Filipenses 2:9-11: “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai.”
A partir daquele dia o evangelho começou a ser proclamado por todas as partes e continua até hoje. O capítulo 28 de Atos é um capítulo não concluído, porque a nossa história também tem de estar lá. A história da igreja nos inclui também.
Que, no poder do Espírito Santo, possamos anunciar o evangelho, contar o que aconteceu em nossas vidas, em todas as nações. Esse poder continua até hoje, não acabou. Às vezes estamos tão envolvidos com nossas situações, que achamos já ter alcançado o máximo da nossa experiência, e não conseguimos pensar que Deus quer algo maior, quer alcançar todas as nações da terra.
Deus falou. Falou por meio dos profetas e por meio do Seu Filho. Sabemos quem é Jesus. Sabemos quem nós somos, a igreja dos primogênitos arrolada nos céus. Sabemos que recebemos um reino inabalável o qual podemos anunciar a todas as nações da terra. Sabemos do poder do batismo com o Espírito Santo que manifesta Jesus como Senhor, e sabemos que o senhorio de Jesus sustenta todas as coisas pela sua palavra.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Os Libertinos

Os libertinos existem há muito tempo dentro da Igreja Cristã. Não vamos confundi-los com aqueles que procuram a liberdade da escravidão do pecado, da carne, do mundo e da lei, que é a liberdade cristã propriamente dita, encontrada em Cristo. Nesse sentido, todo crente verdadeiro é livre, ao mesmo tempo em que é escravo de Deus e servo dos seus semelhantes. Paulo fala disso em Romanos 6.

Os libertinos são diferentes. Eles também falam da liberdade cristã, da liberdade de consciência e da liberdade da lei, só que querem também ser livres de Deus e do próximo. Não percebem a liberdade dada por Cristo como estímulo para viver em obediência a Deus e serviço ao próximo, mas como uma licença para fazerem o que tiverem vontade.

Nós os encontramos em todos os períodos da Igreja. Quem não lembra de Balaão, o falso profeta que ensinou os filhos de Israel a se prostituir com as cananitas e a praticar a religião delas, como se fosse algo aceitável a Deus? (Num 31.16).

Encontramos os libertinos infiltrados nas comunidades cristãs primitivas, ensinando que a graça de Deus permitia ao cristão a participação nos sacrifícios pagãos oferecidos nos templos. Paulo encontrou um grupo de libertinos em Corinto, que achava que tudo era lícito ao crente, inclusive participar dos festivais pagãos oferecidos nos templos dos idólatras (1Cor 8—10). O livro de Apocalipse menciona os nicolaítas e os seguidores de Jezabel, grupos libertinos que ensinavam os cristãos a participar das “profundezas de Satanás” (Ap 2.24). Menciona também a “doutrina de Balaão”, que parece ter sido uma designação relativamente comum no séc. I para os libertinos (cf. Ap 2.14). Judas escreveu sua carta para denunciar e enfrentar “certos indivíduos que se introduziram com dissimulação... homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo” (Judas 4).

Na época da Reforma, Calvino referiu-se em uma de suas cartas ao partidos dos libertinos na igreja de Genebra, que usava a “comunhão dos santos” para troca de esposas (mencionado no livro de Piper, Alegria Soberana).

Os libertinos modernos não são diferentes e mantém basicamente as mesmas características dos libertinos denunciados no Novo Testamento, particularmente na carta de Judas, a saber:

1. Os libertinos estão introduzidos nas igrejas e comunidades cristãs, mesmo não sendo verdadeiros crentes em Cristo Jesus, dissimulando suas crenças e práticas até se sentirem seguros para manifestar abertamente o que são. Eles estão presentes nos cultos e festividades como “rochas submersas” (Jd 12), que representam um perigo para a navegação.

2. São pessoas ímpias – isto é, sem piedade pessoal, sem temor a Deus e sem verdadeiro relacionamento com o Senhor Jesus Cristo  – que se apresentam travestidas de cristãos, usando a linguagem cristã e engajadas em práticas cristãs. São arrogantes e aduladores dos outros por interesses (Jd 16). São “sensuais” e “promovem divisões” no corpo de Cristo com suas ideias heréticas (Jd 19).

3. A doutrina libertina é que a graça de Cristo faz com que tudo seja lícito ao cristão, inclusive a prática da imoralidade – que naturalmente não é chamada por esse nome, mas por eufemismos e outros nomes, como sexo livre, amor, etc. Essa doutrina transforma essa graça em libertinagem – é daí que vem o nome “libertinos”.

4. Em última análise, a doutrina dos libertinos nega a Jesus Cristo, que sofreu na cruz para livrar seu povo não somente da culpa do pecado, mas do poder do pecado em suas vidas, conduzindo-os à santidade e pureza. Os libertinos vivem sem nenhum recato (Jd 12).

5. A fonte de autoridade para essa doutrina não é a Escritura, que em todo lugar condena a imoralidade, a concupiscência, a prostituição e o adultério, mas suas experiências pessoais. Judas chama os libertinos de “sonhadores alucinados que contaminam a carne” (Jd 8). O "cristianismo" dos libertinos não é oriundo da revelação de Deus nas Escrituras, mas é fruto da sua mente carnal, “instinto natural, como brutos sem razão” (Jd 10).

Falando claramente e sem rodeios, os libertinos presentes nas igrejas e comunidades evangélicas não veem nada de errado com o sexo antes do casamento, a multiplicidade de parceiros, as relações homossexuais, a pornografia, aventuras amorosas fora do casamento, o consumo exagerado de bebidas alcoólicas, a participação dos cristãos nas diversões mundanas e absorção dos valores desse mundo no vestir, trajar, viver e andar. A agenda libertina é mais ampla do que essa e alguns libertinos são mais radicais que outros. Mas no geral, libertinos são contra qualquer sistema que tenha uma ética definida e clara e que defenda valores morais absolutos e fixos.

Libertinos costumam construir uma imagem de Jesus como uma pessoa inclusivista, que amou a todos sem distinção, jamais condenou ninguém nem se pronunciou contra o pecado de ninguém. Todavia, o Jesus libertino é diferente do Jesus da Bíblia, que o Cristianismo histórico vem anunciando faz dois mil anos.

Se Jesus foi o que os libertinos dizem, ele foi um fracasso, pois seus discípulos mais chegados se tornaram o oposto do que ele queria: Pedro passou a ensinar que a vida nas paixões carnais era pecaminosa (1Pedro 1:13-19), João passou a dizer que a paixão pelas coisas do mundo e da carne não procedem de Deus (1João 2.15-17), Tiago condenou o mundanismo (Tiago 4), o autor de Hebreus disse que temos que lutar até o sangue contra o pecado que nos rodeia (Hebreus 12.1-4) e Paulo declarou que os sodomitas e efeminados não entrarão no Reino de Deus (1Coríntios 6:9-11). Eles certamente não aprenderam essas coisas com o Jesus libertino.

Os libertinos convenientemente calam-se sobre determinadas passagens nos Evangelhos onde Jesus, ao receber prostitutas, cobradores de impostos e pecadores em geral, os ensinava a segui-lo, não cometendo mais pecados, tomando a sua cruz, negando a si próprios e se tornando sal e luz desse mundo em trevas. Nenhuma prostituta, imoral, ladrão, que conheceu Jesus e se tornou seu discípulo continuou na sua vida imoral. Zaqueu, Mateus e Madalena que o digam.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A Incredulidade no Púlpito

Crer naquilo que a Bíblia diz é um dom salvador de Deus. Aptidão para falar em público, não. Crer em Jesus Cristo como o Filho de Deus encarnado é obra salvadora da graça. Capacidade para administrar uma igreja, não. Receber os relatos bíblicos em fé e viver por eles é resultado da operação salvadora do Espírito de Deus no coração. Capacidade para liderar um culto e dirigir uma liturgia, não. Fé nos relatos bíblicos de milagres é graça especial aos eleitos. Poder intelectual e acuidade mental, não.

É por isto que existem pastores e professores de teologia que são incrédulos. Pois para ser pastor e professor de teologia não é preciso fé. Tive um professor de teologia no mestrado que me confessou ter sido um agnóstico durante toda sua vida. Creu aos 65 anos de idade, durante uma enfermidade. Sua vida mudou.

Pastores e professores de teologia que não têm fé têm que ter outra coisa: a habilidade de separar mentalmente o que ensinam domingo na sua igreja daquilo que realmente acreditam, quando estão a sós com seus livros. Se não tiverem isto, até o que tem lhes será tirado. Pois se ensinarem na igreja o que realmente acreditam, dificilmente manterão seu emprego. Qual é a igreja que deseja ouvir um pastor que não crê nas Escrituras? As que quiseram, fecharam ou estão morrendo. As igrejas da Europa que o digam.

Por não ter fé, o pastor incrédulo tem que direcionar seu ministério e seu culto para áreas onde sua incredulidade passe mais despercebida. Tudo deve estar voltado para ocupar os sentidos de maneira que a fé não faça falta. A mensagem deve evitar temas difíceis. O foco é em pontos morais, sociais e políticos.

O problema com pastores incrédulos não é o que eles dizem, mas o que eles deixam de dizer, os temas que evitam, os assuntos que nunca mencionam, como a ressurreição de Cristo, a infalibilidade das Escrituras, a veracidade e confiabilidade da narrativa bíblica, o poder do Espírito para regenerar a natureza humana pecaminosa, a morte vicária de Cristo, a realidade da tentação e a necessidade de resisti-la. É assim que sobrevivem, evitando matérias de fé e pregando aquilo que um rabino, um mestre espírita ou líder muçulmano também pregaria, como a honestidade e o amor ao próximo, por exemplo.

Alguém pode perguntar “Por que alguém gostaria de ser pastor se não tem fé? Não tem uma maneira mais fácil dele ganhar dinheiro?”. Pois é, pior é que não tem.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lições no Deserto


O livro de Deuteronômio é um resumo das ações de Deus em prol do Seu povo durante a saída do Egito e entrada em Canaã. As palavras de Moisés foram palavras de vitória, de conquista, de progresso, de prosperidade, exortando o povo a cumprir, a obedecer ao Senhor para que recebessem das promessas que Ele havia dado ao Seu povo. Nos textos abaixo, Moisés fala sobre o propósito do tempo passado no deserto e dá algumas lições a serem entendidas e praticadas por todos nós:

“Todos os mandamentos que hoje vos ordeno guardareis para os cumprir; para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor jurou a vossos pais. E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Deuteronômio 8:1,2).
A primeira lição que tiramos é que, quem nos guia no deserto ou durante o deserto, é o Senhor. Sendo mais ousado, digo até que o Senhor nos guia para o deserto. Após o batismo de Jesus, a Bíblia diz que ele “foi conduzido pelo Espírito ao deserto” (Mateus 4:1). A verdade é que nós não conseguimos conceber, aceitar a ideia de que Deus conduz alguém ao deserto e, então, muito menos guiar alguém neste deserto.
“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele. E livrou-o de todas as suas tribulações, e lhe deu graça e sabedoria ante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador sobre o Egito e toda a sua casa” (Atos 7:9,10).
A palavra diz que Deus estava com José naquela situação de prisão. Nossa grande dificuldade é enxergar o Senhor em meio a situações ruins. Como é que Deus pode estar no deserto? Talvez a grande razão do Senhor ter permitido o povo passar pelo deserto antes de entrar na terra prometida foi para que, primeiro, tivesse um conhecimento d’Ele, um encontro real com Ele. Terra prometida, sem o Senhor, não significa nada. Quando o Senhor nos leva para o deserto é porque Ele quer que aprendamos e cresçamos mais.
Outra lição é que o Senhor levou o povo ao deserto para o humilhar. Quantas vezes ouvimos cristãos dizerem que Deus não humilha ninguém? Mas Ele não somente humilha, como manda que nos humilhemos:
“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6).
Não é fácil se humilhar ou ser humilhado, mas isso prova profundamente os nossos corações. Ser esquecido, desonrado, desprestigiado, etc. é muito ruim; somos tentados a reclamar de Deus, das pessoas, da vida.
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem. Nunca se envelheceu a tua roupa sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos” (Deuteronômio 8:3,4).
A grande lição do deserto é que passamos a depender totalmente de Deus e da Sua palavra e constatamos que não temos controle sobre nada que nos acontece na vida, que tudo que somos e temos está nas mãos do Senhor. Neste momento passamos a viver exclusivamente da Palavra de Deus. Existem problemas que Ele coloca à nossa frente onde nos sentimos totalmente presos, amarrados, sem saber o que fazer e qual o próximo passo. Assim, passamos a depender diariamente de uma palavra do Senhor e, quando Ele fala, é o momento de respirarmos, de nos fortalecermos.
Deus nos dá do Seu Espírito, da Sua Palavra, do Seu corpo que é a igreja. Nós, muitas vezes sem entendimento, buscamos socorro naquilo que o Senhor não nos deu. Quem busca refúgio fora do Espírito, da Palavra ou da igreja, normalmente permanece no deserto, caminha sem direção ou abrigo.
Existem desertos que passamos onde o jejum diário passa a ser a única opção de vida, porque simplesmente não temos fome. Estamos tão desesperados, queremos tanto ouvir a Deus que não queremos comida. Isso Ele faz para nos mostrar que não somos autossuficientes, que não temos respostas para tudo, que o controle não está em nossas mãos. Assim, vivemos alimentados do maná diário, necessitados de ouvir uma nova palavra de Deus a cada dia. Aquele povo passou 40 anos no deserto com uma provisão sobrenatural e diária do Senhor; suas roupas e calçados não se desgastaram e nunca lhes faltou alimentos.
Aqui aprendemos outra grande lição: Como iremos louvar a Deus se não O vemos provendo, agindo? É no deserto que aprendemos a fazer contas, a reconhecer e valorizar todas as bênçãos que Deus nos concede e que, às vezes, não vemos ou valorizamos. Louvor é reconhecimento, é ver e valorizar o que Deus faz, é contar as bênçãos uma a uma. Louvor é a linguagem do reino de Deus e murmuração é a linguagem do reino das trevas. A murmuração produz enfermidades de todos os tipos. A pessoa que murmura, que não enxerga Deus no seu deserto acabará doente.
Melhor do que passar pelo deserto é ser transformado nele, porque é isso que Deus quer fazer conosco. Deserto é um lugar onde temos de entrar de um jeito e sair de outro, transformados. Nós não fomos criados para o deserto. Salmos 68:6 diz que apenas “os rebeldes habitam em terra seca, estéril”. Os rebeldes moram no deserto, mas nós apenas passamos por ele para poder aprender, para ver o Senhor agir, para louvar, para se contentar.
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvar-te-ão continuamente. Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração estão os caminhos aplanados. Que, passando pelo deserto, faz dele um manancial; ele fica cheio de fontes de água, e as primeiras chuvas o cobrem de bênçãos” (Salmos 84:4-6).
O Salmista está dizendo que se o nosso deserto for transformado em um manancial, as primeiras chuvas não irão apenas nos socorrer, mas já irão nos transbordar. Isso é estar cheio de Deus em meio ao deserto. Mas, não tem como transbordarmos de bênçãos no meio do deserto se não estivermos cheios de Deus. Por isso, vamos buscar ao Senhor, vamos clamar para vê-Lo em meio ao deserto e louvá-Lo com todo o nosso ser.
Há épocas em que, devido as lutas, não conseguimos sequer cantar e, quando o fazemos, é algo forçado, de forma ritualista. Às vezes queremos ouvir Deus apenas na reunião, no ajuntamento (Mateus 18:20), mas Ele fala também no secreto, em nossos momentos de oração particular (Mateus 6:6). Ele fala conosco através dos cultos, dos irmãos, mas também através dos momentos secretos e precisamos aprender a ouví-Lo em todos estes momentos.
“Quando, pois, tiveres comido, e fores farto, louvarás ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu” (Deuteronômio 8:10).
Ao passar pelo deserto, enxergar e ouvir ao Senhor e cumprir o que Ele está falando, O louvaremos e nos alegraremos.

Igreja em férias?

O período de férias, normalmente janeiro e fevereiro, faz a frequência da membresia cair drasticamente na maioria dos templos. A desculpa quase sempre fica por conta das viagens com a família e os amigos mas, por incrível que pareça, muitos cristãos desaparecem e ainda avisam: "Vamos aproveitar as férias para descansar da igreja. Foram muitas atividades durante o ano e nós precisamos dar um tempo, porque mais programações estão por vir".
O resultado dessa postura é que os templos ficam vazios, as programações não são planejadas (e algumas são canceladas ou adiadas), as músicas são entoadas nos cultos por pessoas com pouca prática na direção do louvor, não há culto de oração, não há encontro de jovens, não há ensaios de coros e, quantas vezes, também são reduzidas as classes da escola bíblica.
Se isso ocorre, não são apenas os cristãos que sentem. Sofrem principalmente os não-crentes, que deixam de ouvir a mensagem de salvação. Durante um ou dois meses, a evangelização no bairro e na cidade para por falta de cristãos para irem ao campo levar a semente.
"A igreja de Cristo é atuante, é viva, não pode tirar férias. O diabo não tira férias, então por que os crentes em Jesus saem para descansar? Isso só enfraquece a igreja. Se a gente abandonar as atividades por um mês, quando voltarmos o inimigo vai ter aprontado".
Férias são um período de descanso da escola, da faculdade, do curso, do trabalho, mas não há férias de igreja e nem mesmo férias de Deus. Liderar um ministério ou estar envolvido em um grupo específico não significa ser um funcionário da igreja, ser um empregado que precisa de tempo para descansar.
Os cristãos são como soldados armados em uma batalha, marchando para guerrear contra um inimigo que não descansa nunca. Se a igreja se puser à sombra para descansar, ele estará pronto a tragá-la. Então, não peça para ficar nos abrigos ou entre os últimos soldados.! Ponha-se ao lado do grande líder, na linha de frente, porque a promessa que Deus fez não é no plano terreno: é o descanso na eternidade.

Fonte:  http://www.presbiterianafiladelfia.com.br.